"Foto tirada em Porto Alegre, após um evento de Cosplay. Gosto dela =)"

O Bruno é meu irmão e melhor amigo, então, é difícil falar qualquer coisa dele. Sempre tenho a impressão que tudo já foi falado, expressado ou sentido. Temos brigas homéricas, mas nosso amor é infinito também. Possuímos códigos, segredos, gostos e desgostos em comum, além de uma sintonia um tanto estranha. Dessas almas que a vida coloca em nossa estrada pra facilitar um pouco o peso dos fardos J
Vamos à entrevista...

w Atualmente, quais as suas maiores inquietudes?
Bom, vamos lá. Atualmente vivo um momento de mudanças e transformações em minha vida: ao mesmo tempo em que vivo um dos melhores momentos da minha vida (financeira e profissionalmente falando), passo por um momento turbulento e confuso (emocionalmente). Por esse motivo, minhas inquietudes são imensas, seja em relação à minha pessoa ou em relação ao mundo como um todo.
Ando com muitas perspectivas, seja de comprar meu apartamento, terminar meu mestrado, consolidar uma carreira, conhecer novas pessoas ou, ainda, de fazer viagens pelo mundo para conhecer novas paisagens e culturas. Porém, os medos sempre existem! E como ser humano fraco e finito que sou, às vezes me pego pensando sobre eles. Bate aquele desespero de pensar que já não sou tão jovem, que ainda não possuo tudo que gostaria de ter com a idade que estou. Entre tantos outros.  Mas aí penso que já estive bem pior e muito mais longe de conseguir realizar meus sonhos e desejos do que estou agora. Logo, vendo por essa perspectiva, não estou tão mal. Para mim, medos são como monstros ou entidades malignas, eles sempre existem em algum compartimento dentro de nós, e ficam lá, hibernando em uma espécie de casulo, e só cabe a nós deixá-los evoluir ou morrerem de fome. Já que eles só se desenvolvem se os alimentarmos com nossos pensamentos negativos e derrotistas.
Meu maior desafio atualmente é evitar me autossabotar, como já fiz inúmeras vezes no passado, pois se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que tudo começa e termina em você! Só você tem o controle sobre sua vida e só cabe a você dar um destino a ela, seja qual for esse destino. Acredito que algumas coisas são pré-determinadas na vida, como algumas experiências que você terá de passar, ou ainda pessoas que necessita conhecer, mas, todas as outras são mutavéis.
Enquanto homem, minha maior inquietude é a de não ser/realizar tudo o que me propus. Como cidadão brasileiro, confesso que minha maior perturbação (além de todos os problemas do país com saúde, educação, violência, corrupção, etc.), é o atual cenário político. Esse GOLPE que está em curso e que já está começando a ter consequências devastadoras para a democracia e para o país como um todo. É triste dizer isso, mas talvez o Brasil NUNCA se recupere desse golpe, se ele realmente se confirmar. Já em âmbito mundial, a minha principal preocupação é com a questão do desmatamento, desperdício de água e demais questões ecológicas.

w A ponte entre a Comunicação Social e a Filosofia tem algumas peculiaridades. Como foi essa transição para você?
Confesso que no começo fui por esse caminho mais por ter visto o teu exemplo e por ver que a filosofia era um caminho amplo e cheio de possibilidades. Com o passar das aulas, e graças às leituras que fiz para as mesmas e para meu projeto, acabei me apaixonando por essa área, e hoje até cogito talvez continuar nela ou, pelo menos, manter meu vínculo, mesmo que siga meus estudos em outro campo. Penso que a filosofia está presente em tudo e é o que dá forma e sentido ao mundo.

w Na Comunicação, aliás, venho observando uma tendência: os alunos saem da graduação já emendando uma pós. A que você, como comunicador social, atribui esse fato, e como avalia isso para os próximos anos?
Acredito que esse movimento se dê graças a alguns fatores que irei elencar.
Primeiramente, pelo fato de o comunicador estar (ou, ao menos, tentar estar) à frente das tendências de mercado, além do fato de que o mesmo sempre precisa estar se atualizando, pois a comunicação e as tendências mudam muito rápido. Logo, se você parar, é esmagado pelo mercado e pela concorrência.  E o fato de ter uma pós é um diferencial que dará alguma vantagem na hora de procurar emprego. Ou na hora de tentar conseguir uma melhor remuneração, já que os salários na área de comunicação não andam lá essas coisas. Sendo assim, com uma pós, muitas vezes é possível se conseguir uma colocação melhor, mesmo atuando em áreas nem sempre diretamente associadas à sua formação. Acredito que a tendência é que esse movimento aumente e se expanda nos próximos anos.

w Você desenha, pinta, faz esculturas. O trabalho que desenvolve atualmente também é diretamente ligado a formas artísticas audiovisuais, que incluem edição, direção, fotografia. Qual a importância da expressão artística na sua vida? De que forma ela lhe liberta ou o coloca em contato consigo mesmo?
Para mim, a arte é como uma grande mola propulsora; acho que se não a tivesse descoberto em mim, seria uma pessoa muito mais infeliz do que sou. Fazer arte me transporta para outro lugar, ela me deixa pensar que ainda existem coisas belas e puras no mundo, deixando-me leve. O que nos torna humanos é isso, essa capacidade de se expressar! A arte é uma das manifestações dos nossos medos, desejos, sonhos e, por que não, utopias, mais ocultos e sinceros. Sem ela, o mundo não seria o mundo. Se pararmos pra pensar, nem os homens primitivos conseguiam viver sem arte: estão aí, nas paredes das cavernas ou em pedras, inúmeros desenhos rupestres, para provar que até a forma mais primitiva de vida era capaz de se expressar e se libertar produzindo a arte.

w Você foi um rapaz muito galinha-lanteador na adolescência, mas há já alguns anos que tem uma postura diversa do “popular masculino” em relação às mulheres, ao sexo e ao amor. Qual o seu posicionamento hoje a respeito dos relacionamentos e o que você pensa da atitude incentivada de “enquanto não aparecer a certa, se divertir com as erradas” (ou “a gente pega e não se apega”)?
Bem, confesso que, mesmo quando eu era um estereótipo do perfeito espécime de “adolescente popular/galinha/pegador”, eu nunca me senti à vontade com esse papel. Muitas vezes, ficava com alguma menina mais pela pressão social do que pelo real desejo de não ficar sozinho (ou de estar com ela). Pois, a violência simbólica exercida pelos amigos e pela sociedade é muito forte e intimidadora.
Sobre os relacionamentos, nos dias de hoje, acho que é exatamente o que Zygmunt Bauman diz. Tudo está muito líquido, mas eu atribuo esse fato também à falta de amor e carinho dos pais para com os filhos, e a partir dessa carência de afeto dentro de casa, os jovens vão procurar carinho, atenção, afeto, etc., fora dela, ou melhor dizendo, em outras pessoas, tão carentes quanto eles. Hoje em dia, são muito poucas as pessoas que realmente se conhecem e, pior ainda, que conhecem seus familiares. E isso é horrível, pois acredito que as próximas gerações serão ainda piores (sim, isso é possível), dado ao avanço da tecnologia e ao número crescente de pais e mães solteiros, ou que se envolvem sem um pingo de amor em “aventuras” e acabam tendo filhos, os relegando ao mesmo caso de falta de amor já vivenciado por eles. Isso é meio que uma herança maldita que perpetua esses comportamentos frívolos e relacionamentos fugazes.

w Quais as principais dificuldades e a parte mais bacana de morar sozinho?
A melhor parte é não precisar prestar contas a ninguém; se você quer deixar sapatos no meio da casa, louça suja na pia, você vai deixar e ninguém tem nada com isso, é só você com você mesmo.  Sem falar em não precisar ficar dando explicações quando vai sair ou quando se dorme até mais tarde.  A parte ruim acho que talvez seja a solidão, a falta de alguém para conversar, mas confesso que ainda não experimentei dessas sensações até o momento.

w Você vem estudando muito o filósofo contemporâneo Giorgio Agamben, que entre outras coisas, aponta que o estado de exceção se tornou a regra na representação política de nossa sociedade. Como esse pensador (e a sua pesquisa) podem nos ajudar a compreender o momento que o Brasil e outros países do mundo vivem agora?
Essa é uma questão muito interessante e complexa de ser respondida. Mas, vou tentar. Acredito que o momento que o mundo passa atualmente é o reflexo do processo do capitalismo que, na minha opinião, é um sistema que já está  saturado, mas nem por isso enfraquecido, pois suas estratégias e táticas são muito fortes e bem elaboradas.
Esse tema entra muito também no que Foucault denominou de biopolítica e que Agambem aprimorou para tanatopolítica, que seriam o poder de decidir sobre a vida e a morte e controlar a vida em seus pormenores. Ou seja, o soberano, que era quem decidia sobre as execuções (ou suplícios, como Foucault menciona no primeiro capítulo de “Vigiar e Punir”) ou perdoava o preso pelo crime. Porém, atualmente, esse “soberano” foi substituído pelo Estado, que é quem decide quem vive e quem morre, através do controle sobre a vida,  natalidade, sistema de saúde pública, etc. E é nesse ponto que a biopolítica nasce, para assegurar esse controle.
Sendo assim, o estado de exceção, que seria uma situação contrária ao estado de direito que estamos habituados, surge. Esse estado de emergência, em que diversos direitos e garantias constitucionais são suspensos, dado que as decisões precisam ser tomadas de forma rápida e para que isso aconteça não podem haver atrapalhos externos. Por isso, deixa-se de consultar o povo, e a democracia automaticamente vai por água abaixo e torna-se, grosso modo, um regime “ditador”, onde encontros de mais de duas pessoas podem ser considerados reuniões ou manifestações e (podem ser) reprimidos com violência ou prisão. Sem falar que o executivo também pode obrigar e ordenar buscas em domicílios considerados suspeitos. Após esse breve resumo que fiz para contextualizar um pouco meu ponto de vista, acredito sim, que vivemos atualmente no mundo um estado de exceção que está virando a regra. Trata-se de algo que é muito bem elaborado e meticulosamente executado, servindo aos interesses das grandes potências visando “COLONIZAR” outros países, para extrair deles recursos naturais e outras benesses, sem precisar pagar pelos mesmos e nem responder por crimes ambientais e de outras naturezas, como bem mencionei no início da questão.

w  Faça-me uma pergunta, sobre qualquer assunto (ela será respondida na minha próxima entrevista). O que você acha da sua vida no atual momento? Nos quesitos: financeiro, amoroso, profissional, pessoal, etc. Está dentro do que você imaginou no passado? Se você pudesse mudar algo em seu passado, o que seria?

Rapidinha:
- Preciso aprender a... Ser menos trouxa (em vários sentidos).
 - Sei cozinhar... diversas coisas (dá pra sobreviver).
 - Gostaria de “desver”... algumas atitudes grotescas da história da humanidade.
- Sou de uma geração em que... ainda existiam alguns valores e se brincava na rua.
- Último filme que viu no cinema... Esquadrão Suicida.
- Última mensagem no Whatsapp... Tua ou de alguma “amiga”, haha.
- Última decisão que tomou... Perder peso e cuidar da saúde.

Página no face com a arte do Bruno: Bruno Bass Graphics




Entrevista recebida em 19/08/2016.