Stand by me: Meu filme favorito.

Esses dias me deparei com a seguinte frase em um vídeo:

(2’03)”Nós estamos colecionando amigos como selos. Sem distinguir quantidade de qualidade. E trocando o sentido profundo e íntimo da amizade com a troca de fotos e conversas de chat. Fazendo isso, nós sacrificamos a conversa pela simples conexão criando uma situação paradoxal, na qual nós afirmamos ter vários amigos quando, na verdade, estamos sozinhos”. (2’19)

Não foi necessário nenhum exercício poderoso de reflexão para atestar a verdade e o fundamento destas palavras. Por mais que a nossa geração se sinta satisfeita (aliás, mais que satisfação, isso é uma espécie de constituição da identidade) nos contatos estipulados pelo network, não dá para mentir a si mesmo dizendo que isso é melhor do que o olho no olho, hand by hand. Basta observar o número de vezes que nosso celular apita por dia e comparar com as visitas que recebemos, os convites para sair, os encontros demorados... Pessoalmente, estamos sempre “correndo”. Na rede, é possível dar atenção a um amigo conectado enquanto se está fazendo, simultaneamente, outras coisas, ou tendo outras interações. Já o tête-à-tête exige que, ou se esteja presente e inteiro ou presente com o celular na mão não se esteja, dirimindo a relação para um nível mais profundo (ao menos, hipoteticamente). E o que causa melhor sensação?
Observo em minhas próprias amizades o cumprimento de um ciclo que se repete. Isso me ensinou, de certo modo, o desapego. Amigos vão embora. Se não totalmente, pelo menos uma parte deles, vai. E, às vezes, a parte que a gente mais gosta. É que com o tempo toda relação muda. E nem sempre é para melhor. Que nem namoro e café: esfria, sabe. E eu gosto bem quentinhos.
Depois de um tempo, você aprende que a maioria das amizades – e algumas que você considerava boas mesmo – dura apenas uma estação. Pode ser um verão incrível de cor e calor ou um inverno de aconchego da solidão, mas não será mais do que isso. Poucas serão as amizades que sobreviverão às barreiras do tempo, ou da distância, ou das maldades, das diferenças, ou mudanças... Esteja preparado para a verdade: poucos amigos seguirão com você. Feliz quem tem uma amizade leal de infância; umx super amigx de adolescência; alguém que segura a nossa mão e sente o peso da nossa alma... Grandiosas as amizades que não terminam por tão pouco. Isso é raro, quase tão raro como encontrar um amor ~ supostamente ~ verdadeiro e, às vezes, até mais importante que isso. Amores são falíveis, mutáveis, finitos. Mas amigos ~ verdadeiros ~ estarão sempre lá. Mesmo pegando uma estrada paralela na vida. Ou mesmo que um de vocês se mude, ou se case, ou morra... Mesmo quando um de vocês muda tanto que quase não cabe mais na amizade...
Os melhores amigos que mantenho não foram “os melhores” o tempo todo. De alguns, só a maturidade espantou a palidez que eu atribuía às suas ações ignóbeis e lhes emprestou um ar corado nas faces (a meu ver). Mas quiçá, a ausência desse “blush terroso” fosse apenas uma defesa para manter a reserva e aparente frieza com que estranhos são sempre recebidos no ambiente já maculado de quem sofreu a confiança espatifada tantas vezes. E continua sofrendo. Mas nem esse gelo inicial espanta as almas boas de intenção, que com o frescor da novidade e o compartilhar de novos pontos de vista sobre todas as velhas questões, às vezes, conseguem conquistar até um coração já tão pisado pelo tempo.

Para finalizar, não podia deixar de mencionar que os melhores papos são sempre entre amigos. Velhos ou novos, é com os amigos que a gente escreve histórias, lembranças; constrói viagens, sonhos; registra palavras, momentos; aprende, apreende e reaprende... São os amigos que fazem a gente ouvir uma música e lembrar de uma vivência, uma piada; lembrar de um rosto quando reencontra um livro; rememorar uma saudade quando encontra uma fotografia. Talvez no fim da vida, quando passa o tal do filme lá, sejam os amigos os grandes protagonistas, afinal.