Eu não posso fingir que não ligo
Se isso é tudo o que eu consigo pensar
Se importa pra mim,
Não importa
Se não importa
Pra você.

Esse pensamento arraigado
Que sangra e que fere
Machuca e tortura
Faz de qualquer amor sempre um martírio.

Ora, se tem condições, logo não é amor!
Sei que não amo, menino ingênuo!
Mas, se minto pra mim
É pra tentar aceitar
Que nessa vida
Não nasci para amar, apenas martirizar.

Eu carrego isso aqui comigo
E ninguém conseguirá mudá-lo
Se não for do jeito que eu quero
Não vai ser.
E não vai ser mesmo.
Eu jamais conseguiria ser mais uma
Mais um nome, uma boca
Mais um fio de cabelo em um lençol.
Eu jamais farei isso comigo.

Eu simplesmente não posso mentir pra mim que aceito
O peso do mundo já arca demais minhas velhas costas
Para que eu trate de algo tão significante
Como se nada fosse.
Mas não faltarão outros nomes, outras bocas
Uma e cada sem o menor acréscimo em relação à anterior
E sem sabê-lo ou senti-lo
Coisa  para a qual não sirvo.
Nem a você
nem a ninguém.

Eu nunca amei alguém e preciso conviver com isso.
Se meu sentimento impõe condições, hei de respeitá-las e viver sem amar.
Também nunca mo amaram
E com o tempo isso sempre deixa de fazer espanto
Por que, diabos, eu haveria de ligar em ser mais um rótulo,
Mais uma época,
Que se reduza só ao encontro e jamais ao ardor que o tempo atravessa?

Como me arrependo daquela manifestação impensada
Do que tirei de mim e nunca terei de volta.
Como eu apagaria sem pensar aquele dia e toda a sua expressão da minha memória
Da minha alma
Da minha tristeza.
Tudo o que senti por mim não tem tempo que encerre
E a autotraição imposta não se anula com o avançar das datas.

Só o que peço é que um dia eu consiga saturar de vez essa chaga.
Mesmo que não existam relógios capazes de medir o tempo até ali.
Pois trocaria cada ósculo pela minha guerra particular.
Mas sem a marca da sua sangria contra a minha ferida ardente

E da sua indiferença por meu sangue quente.