Conheci a Carol ano passado, quando me hospedei em sua República – a Quartzo Rosa – durante meu processo seletivo para o Doutorado. Além do ambiente acolhedor, fui gratificada com uma profícua e sincera amizade, que tem dado seus frutos desde então. Lúcida, exuberante e sensível, Carol mostra sempre uma personalidade afável, ainda que bem marcada, sabendo como retribuir ao mundo e às pessoas a generosidade que nelas possa encontrar. Nessa entrevista, ela fala de realizações, autoconhecimento e gratidão.

w Carol, fale um pouco de você.
Meu nome é Caroline Costa de Mattos, sou aqui de Florianópolis, nascida e criada; tenho 37 anos, filha do Seu João Francisco e da Dona Eunice (em memória); irmã do Guilherme, do Fausto, da Sabrina e da Luíza, e tia da Teodora (2 anos). Tenho um valor bem forte em família; apesar de estar bem longe deles, eu percebo que eu pertenço a eles. Tenho muitos amigos, me vejo uma pessoa empática, fácil de fazer amizades e consigo manter minhas amizades também. E lealdade, pra mim, também é um outro valor, então já estou falando muito sobre mim, né?! Dos meus valores.
Profissionalmente, sou formada em fisioterapia e atuo também como coaching; construí uma carreira que já tem 13 anos, mas atualmente faço um trabalho ou outro, que sejam interessantes.
 
w Atualmente, quais as suas maiores inquietudes?
Trabalhar as mazelas da vida, e utilizá-las a meu favor para conseguir me desenvolver enquanto ser humano, uma pessoa melhor, ser uma tia que encha a minha sobrinha de orgulho.

w Fale um pouco sobre o seu trabalho na República Quartzo Rosa.
Eu montei a república, que é um ambiente que eu adaptei para favorecer mulheres a desenvolverem suas habilidades intelectuais e profissionais. A república é laica (risos), e ela tem uma série de norteadores de comportamento, para que as coisas funcionem e que todas se beneficiem, e ela opere como um apoiador dessas pessoas que venham. Eu acho ela uma gracinha, é toda colorida, e ela também é importante pra mim, pois foi algo que eu consegui gerar um potencial criativo.

 Por que o trabalho só com mulheres?
Eu sempre trabalhei com mulheres, desde sempre. Aí foi mais fácil criar um ambiente feminino, por eu ser mulher e já conhecer como funciona esse ser, e também porque eu tenho uma crença comigo que é “onde se come o pão, não se come a carne” (risos), então, se eu morasse com homens, isso seria algo mais complicado, porque é uma coisa que pode acontecer naturalmente. Prefiro lidar com mulheres, pois sou mais resolvida em relação a isso – a não misturar as coisas.

w Como você convive com todas as suas próprias expectativas e frustrações, além das cobranças da sociedade, na fase atual de sua vida?
Me equilibrando. Compreendendo que a minha realidade pertence a mim, e que a realidade do outro é do outro. Então, eu não posso colocar a minha expectativa na mão de outra pessoa – isso eu tenho que ter em mente. Em primeiro lugar, a expectativa é minha e eu que dou conta dela. E, no mais, eu vou à constelação e busco trabalhos terapêuticos pra ajudar a manter o equilíbrio. (A meu pedido, a Carol falou sobre a “constelação familiar”). A constelação é uma técnica do Bert Hellinger que eu fiz no ano passado e desde então eu venho me desenvolvendo a atividades do inconsciente; negações, sabe, que a gente não olha, ou nega. Agora eu decidi parar, pois entrei para o patchwork e estou mais interessada, mais inclinada a buscar esse caminho. Mas a constelação me ajudou bastante, nesse sentido de eu conseguir trabalhar aquilo que pra mim... eu nem via. Estava invisível.

w Fale-nos sobre a sua relação com a espiritualidade no dia-a-dia.
Eu tenho o hábito de manter uma oração e desenvolver a minha fé. É algo meu, assim. Vou à igreja, trato de nutrir o meu espírito. Vou à igreja evangélica, vou à católica, vou ao centro espírita... (risos). Agora eu estou indo mais à igreja evangélica porque eu acho eles carismáticos, gosto das músicas e gosto de lá, mas também não sou aquela fiel fervorosa. Eu percebo que eu não vejo como eles veem e não vejo essa necessidade em mim. E não questiono, porque eu entendo que aqueles que têm de viver assim, eles têm as necessidades deles, e por isso agem da maneira correspondente. Eu, particularmente, já acho que Deus não precisa ser assim comigo, pois eu até nem vejo o Criador dessa forma, como alguém que vai me castigar, e sim alguém que equilibra; a vida acaba sendo uma escola, se vai passando de séries... Então, isso é parte também: se ter uma conexão. Digamos, a planta: a planta tem uma conexão também, uma outra inteligência, que é inferior à minha (eu acredito), mas que tange ao seu papel de desenvolvimento, inclusive espiritualmente. 


w  Faça-me uma pergunta, sobre qualquer assunto (ela será respondida na minha próxima entrevista, na semana que vem).
Quem é a Kelly? Diga o suficiente, aquilo que você puder falar. O que não puder, tá tudo certo. Tá ótimo ;)

Rapidinha:
- A vida me ensinou que... Me veio uma música do Cazuza: “vida fácil... levar vida fácil, fácil...”. Ela me ensinou que ela é fácil e feliz.
- Livro que está lendo... Estou relendo “O efeito sombra” (Deepak Chopra). E “Introdução à Lógica”, também. (Risos). Mas, esse último não tá dando. A sombra não tá autorizando. Hahaha.
– A última decisão que tomou... Estava arrumando as minhas coisas e vi que ainda não dá para morar junto – casar. A mala está pronta, mas senti algo dentro de mim que “não” ainda. Mas já levei a metade das coisas... Estou levando aos pouquinhos...
- A humanidade precisa falar mais sobre... Cada um falar sobre si. Se reconhecer, se encontrar. Não acredito em felicidade sem autoconhecimento.
- Um dia feliz pra mim é um dia... Eu adoro o meu jardim e a praia. Um dia feliz exige que, ou eu tenha conexão com as plantas... ou mergulhando. O mar, o sol... acho que refletem abundância.
– Gratidão... Gratidão é gratidão. E gratidão a gente pratica. Quero agradecer ao Fernando, meu companheiro, que tem me ajudado a me desenvolver, principalmente no aspecto de relacionamento. De conseguir participar de coisas que não são só da Carol, mas sendo a Carol. Sou muito grata a ele. E sou grata a toda a minha família, e a Deus também. A você, pela oportunidade da entrevista, a cada menina da república e, sobretudo, à Grande Vida.




Entrevista realizada em 13/09/2016.