Amores Passageiros... (Foto e legenda roubadas do instagram do Thalles Cabral). 
Gosto de cuidar de você. De fazer, sem aviso, aquele bolo de chocolate que você gosta, e raspar juntinho a calda quente na panela. Gosto quando a gente aperta bem abraçadinho, até dormir. Gosto quando deixa seus livros aqui em casa. Ou um par de meias, pra marcar território. Gosto quando lembra de mim no meio da tarde, e então fica bravo, porque eu só vi três horas depois. Gosto de bagunçar seu cabelo, do ruído da risada. E quando conseguimos rir juntos. Você é tão sério... Como penetrar seus enigmas?
Gosto quando me faz um chazinho. E ordena meus papeis, aos milhares, por cima da cama. Gosto como estimula a minha autonomia, me dá dicas pra manobrar – eu, que odeio aqueles estacionamentos de shopping! Do cheiro de café e de coisa no forno, pela casa. Das flores na bandeja de manhã. Gosto quando esquecemos os compromissos, perdidos em devaneios e lembranças. Dos pensamentos que vêm quando a música está tocando bem baixinho, e o volume das mentes se sobrepõem com facilidade. Gosto como você já sepultou as pessoas do seu passado, assim como eu fiz com as minhas. Quando está a gente, está só a gente mesma.
Gosto quando cuida de mim. Afinal, resisto tanto em ser cuidada. E como te adoro com aquele avental (e, também, só-com-aquele-a-ven-tal...). Gosto quando chego e está aqui. Gosto quando tem surpresa. Quando não ligamos pra nada, esquecemos do mundo. Quando o silêncio fala mais alto, e grita. E conseguimos ficar só assim, quietinhos, no mergulho profundo e estrangulado das nossas ilusões. Mil sentenças abandonadas. Choques de anseios, perdem-se as falas, buscam-se os dedos. E outras partes. Todas elas. Os lábios. Leem-se e condensam-se enquanto o vento nos afaga os cabelos. Para, vem cá, acorda... Gosto quando sonho assim, junto contigo. E adormeço.