Só essa palavra me vem à mente ao ver essa tua boca rebocada de vermelho. Tua roupa escandalosa, teus modos gritantes, tua risada alta: over. Sinto-me tão o oposto de você, mas te quero bem, só não te admiro... E, para mim, a afeição exige essa coisa da admiração, alguém que eu gostaria de aprender. Esqueço, como disse uma amiga, que é preciso lembrar que pessoas como nós estão aqui até mais para ensinar... Então, é tão over você ficar bebendo pra chamar a atenção... Tão over você ter tido tantas experiências das quais parece não ter aprendido nada; over você regredir para a pré-adolescência no momento em que perde o centro na vida. Tão over vomitar de cerveja e contar rindo; tão over beijar qualquer coisa que lembre vagamente um boy pra se sentir desejada; tão over você me contar tudo isso e esperar que eu receba tuas leviandades com brilho no olhar. Acho que não tenho mais paciência. Acho que não quero mais ser tua amiga – como eu dizia quando tinha uns oito anos. Acho que você já tinha recursos para ser um pouquinho melhor. Mais tranquila. Segura de si. Acho mesmo que têm naturezas espalhafatosas, mas é uma escolha se tornar uma delas, quando a discrição nos faz convite tão mais intrigante. E esse talvez fosse o teu momento de acolhê-la. Abraçá-la, senti-la, pulsá-la contigo. Cuidar-te, descobrir-te, ficar do teu lado. Mas, não, fica preferindo ser over... E eu, aqui, escrevendo o exagero do que não posso te dizer.