Essa manhã eu conheci um homem. E por uma estranha razão, ele me comoveu. Comoveu sem nada demais, nenhuma palavra, gesto ou anseio. Apenas senti algo que emanava dele, uma energia de reto caráter muito forte, a identificação de um raro homem bom. E eu estava segura. E a segurança nada tinha a ver com preceitos românticos ou a semelhança que, por vezes, nos oferece as margens dos homens no mundo. Era uma segurança espiritual. Como se minha alma visse nele algo de muito fundo, que até agora eu mesma não o sei conscientemente. Consegui compará-lo apenas com uma pessoa, velha conhecida minha, e que amo, mas nem mesmo essa pessoa me infunde um respeito tão caro e tão fundo e tão desconhecido por simplesmente sabê-lo.
Já se passou uma hora e ainda guardo essa estranha sensação de reconhecer algo em uma alma que nunca vi (e, talvez, nunca mais verei), e sem me intrigar tanto com o que é, apesar de sentir uma tristeza bonita de tão rara. A tristeza da certeza que há poucos seres no mundo assim. E a tristeza de saber que não vivem(os) muito (aqui).
Ah, eu nem sei se também sou um deles... 

É estranho quando um estranho nos convida a visitar cômodos nossos que ainda não conhecíamos e ele nem mesmo sabe que proporcionou esse convite.