Cada vez que você me deixa ir, em outro lugar, ele sorri. Aquele sorriso que ainda não conheço, mas que pode vir a dourar meus dias. Sorrir comigo. Fazer planos juntos. Beber vinho. Tudo o que você recusa... cada vez que me deixa ir.
Cada vez que você me deixa ir, o peito dele se estufa de alegria. “Ela é uma garota incrível”, ele pensa, “e é para os meus braços que ela vai vir”. Cada vez que você me deixa ir, um novo acordo é firmado no mundo. De novas receitas que serão feitas, de novos filmes que serão vistos, de outras conversas que acontecerão, em outro lugar do tempo e do espaço. Cada vez que você me deixa ir, ele exulta, porque sabe que um lado de mim exulta também. Cada vez que você me deixa ir, ele recupera um pouquinho a fé no amor, porque embora já tenha se machucado também, não é covarde o bastante para não tentar de novo.
Cada vez que você me deixa ir há um novo pacto de sobre como as coisas serão. Um outro presente será escolhido em outra data de aniversário e outras histórias começarão a acontecer em outro plano, para um dia se materializarem em outros lugares, começos, sorrisos. Cada vez que você me deixa ir, um pedacinho de mim também morre, é verdade. Mas, outro revive, porque sabe que se você quisesse mesmo, não inventaria desculpas e nem apelidos para a sua falta de vontade. Cada vez que você me deixa ir, um pedacinho de mim vive, então. São outros sussurros, outros toques, outras memórias que se programam para, assim, um dia, chegarem à minha vida. Cada vez que você me deixa ir não é sobre a nossa despedida, é sobre o meu despertar.