São de dois tipos esses e-mails: aqueles que eu escrevo, e nunca envio. E aqueles que eu recebo, e morrem sem retorno. No primeiro, teço conversas, me sirvo de tergiversações, brigo, xingo, morro de amores, conto notícias, sinto saudades, elaboro um texto enorme, esmaeço em breves linhas. Às vezes, os dedos doem de tanto contar; às vezes, a mente dói de tanto guardar... No segundo, passo os olhos, leio, releio, respondo mentalmente. E nessa resposta em detalhes, entre risadas e palavras escondidas, torço para que algo aconteça e o destinatário receba tudo aquilo que eu sorri e pensei. E não registrei. No dia seguinte, lá está a mensagem de novo; opto por marcá-la como não lida, assim, no outro dia ainda, pode ser que me anime a responder. Mas, não, no dia posterior estarei mais cansada; minha casa e minhas plantas estarão exigindo de mim; é de novo o meu dia de lavar a louça – deixa! Ela é minha amiga (ele é meu amigo), eles vão entender. E assim, no imo de tantos sentimentos, nuances, contos, dores, ausências, vividas na minha introspecção, algumas mensagens dormem para sempre, jamais chegando ou voltando para o seio de seus destinatários.