O tempo é um velho triste

Que assiste a vida como a um filme, sem nenhuma emoção no olhar. Um velho que não se assombra ao perceber os cataclismas cíclicos, as revoluções siamesas, os povos disfarçados de evolução, mas que, no fundo, são sempre os mesmos. O tempo é um velho cansado que só vê a roda continuar a girar, a girar. Um velho de semblante frio e parado, de íris mortiças e lábios enrugados, protegido em sua longa capa dos próprios caprichos que produz e apraz. Ah... O tempo é um velho bruxo, que através da sua alquimia, alcançou a total neutralidade do sentir, porque sempre se repete... sempre se repete...