Gostaria tanto de me libertar desse passado, dessas mágoas, parar de carregar essa bagagem tão pesada... Elas adormecem mas, em dias escolhidos, não escolhidos, elas estão lá. Sempre voltam.
Particularmente, nos dias mais cinzas, sinto um mundo de uma tonelada nas costas. Um mundo denso, difícil demais pra mim. Me protejo como posso – já criei tantas camadas e cascas – finjo, fujo, distancio, mas a dor sempre me encontra, não dá pra negacear com ela. Nos meus dias ruins, nos meus dias tristes, bebo de novo daquela taça de fel que alguém disfarçou de mel há um ou há quatro anos e me convidou para beber. Espero um dia ser inocente de novo.