Eu já vivi outras tardes assim. Meio pálidas, muito frias, cheias de inquietações silenciosas. A estudar e ler demais sem saber se aquilo me levaria a algum resultado. Outras tardes de julho, só, lembrando sem emoção de alguém ou alguma coisa. Ou, talvez, mentindo à razão que estava a emoção muda. Outras tardes em que eu precisava fugir rapidinho, logo ali, escrever, para não enlouquecer (como já poetou Bukowski).
Já vivi outras tardes parecidas com esta, incerta do meu destino na profissão e na vida. Incerta do meu lugar na academia e no mundo. Ainda que, também naquelas tardes, já vislumbrasse uma árvore doce e de frutos saborosos. Tem tardes (e dias) que a gente fica meio que negaceando com a gente. Finge não saber no que vai dar enquanto mordisca um doce quente e se desculpa com a baixa temperatura. Está com medo de admitir que agora o medo é do medo – pânico! – pois começar tudo de novo vem sempre com aquela alegria incontida mista com o pavor da incerteza. Medo de partir, e isso ser a melhor coisa possível; medo de perder, esquecendo que nunca temos nada.

Já vivi outras tardes chafurdada nos livros. Tantas letras: de artigos, de poemas, de rascunhos em que me perco. E me embriago, sem saber se gosto tanto disso mesmo ou se o faço porque, afinal, nunca soube o que fazer. Tardes parecidas com esta, em que o sol se põe enquanto ‘ponho’ a mão nos meus pensamentos. O ar gelado que faz lá fora também enregela minha solidão, sempre tão bem acompanhada do prazer dos livros, que acaba(m) me levando para muito longe... Às vezes, literalmente.

Algumas tardes atrás, em Caxias do Sul.