É um tempo de desapegos.
Desapego da imagem de “família de comercial de margarina”.
Desapego do deslumbre de “dar a volta ao mundo em 80 dias”.
Desapego dos títulos de ‘sabedoria’.
Desapego da busca pelo homem perfeito.
Desapego da busca em ‘ser’ a mulher perfeita.
É um tempo de desapego do formato que tem uma amizade. Ou uma relação, seja ela qual for.
Esses dias alguém me disse uma coisa interessante: ‘tenho vivido menos para rejeitar imediatamente, e mais para dar oportunidade’. E eu: Como assim? ‘Assim, tentando fazer o melhor com aquilo que me vem. Vendo as pessoas, por exemplo, como oportunidades, e não as descartando e buscando outras do jeito que eu quero’. Eu não me afinei com muita coisa dessa pessoa, mas essa declaração, em particular, me chamou a atenção. É preciso também se desapegar de uma forma ‘pronta’ em nossa mente para poder fazer o melhor com aquilo que (ou quem) a vida traz pra gente.
É um tempo de desapego dos sonhos antigos, das idealizações que eu criei na adolescência para essa época de agora. Como eu seria com 30 anos. Que profissional, que ser humano, que mulher. Tempo de desapego de quem eu poderia ter sido, ou queria ser. Desapego do que não andou, mas ainda arrasto como um morto nas costas. Desapego dos curativos, das velhas bandagens manchadas de sangue.  
É um tempo de desapego até, por que não, da forma antiga de escrita, ou o jeito de escrever daquele outro eu. Porque uma das brigas que mais tenho travado comigo ultimamente é acerca dessa nova maneira de me expressar, a qual não me identifico. Quero tentar escrever como antigamente, como os textos do outro blog, mas não vai – esse outro eu não comporta. E talvez seja o caso apenas de deixar de exigir, mas aceitar – é um desapego de um modo literário anterior, nem melhor nem pior, apenas diferente (embora eu ache tão hipócrita esse discurso... But, it doesn’t, nesse caso, não é!).

Um tempo de desapego. Desapegar do conveniente, do “certo”. Desapegar do confortável, do óbvio. E de tudo que me fez, então, apegada.