A água está fervendo. A chuva da manhã bate na minha janela. Por que eu saí da cama, afinal? Não quero sair de casa. Ainda que eu saísse, seria tudo sem graça...
Só perdi tempo online na noite passada. Tenho a tese a escrever, leituras atrasadas. Minha cabeça está doendo. Reclama o corpo todo, como se eu tivesse 85 anos. O trânsito estará uma droga. Ou posso sair a pé, e molhar os pés e as barras das calças.
Estou atrasada para a aula de novo. E não tenho nenhuma vontade de ir.
Meu café está esfriando. Devo almoçar? Sem fome. Lá se foram aqueles três quilos com os quais eu brigava desde dezembro.
Abro o portão, empurro a porta, acendo a luz. Em casa, enfim. Nenhuma novidade para contar. Muita coisa para fazer.
Ligo o lap top. Ligo um incenso. Nirvana canta baixinho. Vou estudar na cama.
Na cama... Não consigo estudar.
Whatsapp: condicionamento pavloviano.
Por que eu saí de casa? Não quero sair da cama, afinal.
Anedonia.