Um ponto de paz é um refúgio capaz de lhe devolver ao seu antro, independente do que está acontecendo lá fora. Não é alguém, não é um bichinho de estimação, não é uma circunstância: nada. Não pode ser algo que está fora de você.

É bem verdade que, às vezes, o ponto de paz até se disfarça em uma atividade (aquela que simplesmente nos desliga desse mundo caótico), mas também não o deveria ser. Ponto de paz é um ponto intangível, apenas, que o restitui a si mesmo – o meu ponto de paz me devolve pra mim. Ponto de equilíbrio. Como se minha própria alma me pegasse pela mão e dissesse: ei, vai ficar tudo bem. Já está tudo certo. Est-ce que tout va bien. Reconexão, reencontro: isso nunca está do lado externo.

Mas, por vezes, teimamos em procurar ou simular o nosso ponto de paz em pessoas, objetos, relações, crenças, religiões. Etc., etc., etc. Isso é uma grande falta de autoconhecimento. Para acessar o nosso ponto de paz não tem mistério, não tem segredos nem rituais. Basta apenas intencioná-lo; e em uma confiança cega, a gente se joga...