Revirando os arquivos rotos, que com frequência jogo fora, encontrei pedaços digitados de uma carta que escrevi alguns anos atrás para um amigo querido, cuja lembrança estimada volta e meia me vem à memória. Esses dias ainda eu quase escrevi um texto sobre as cartas que enviei – comecei bem cedo, lá pelos onze anos (que me lembro... pode ter sido antes!), - e sobre como eu, provavelmente, ficaria bem envergonhada se reunisse todo esse material epistolar, principalmente as “de amor” (vênus em gêmeos, sacumé, se reunissem todas as cartas de amor que escrevi e entreguei, meu jesus, a fama que eu teria seria de lascar! risos). Se fui feita de trouxa, me consola saber que, ao menos, por um momento, cada destinatário acreditou nas minhas palavras, hahaha (e eu também). Mas, ok, escrevi cartas muito profundas e importantes outrossim, e os trechos da missiva abaixo denotam como sentimentos sinceros podem ser endereçados em mal traçadas linhas, mas jamais se perder no tempo. 

“Meu aniversário é mais a passagem de uma data querida, que mais vem lembrar que o tempo não esquece ninguém e que, talvez, não tenha lutado por meus sonhos o suficiente. Ainda assim, escrevo-te em um doce momento de contemplação, simplesmente feliz pelos presentes que me deu e por tantos outros, da vida. Como você, André, tenho percebido que o que mais vale na vida não são imóveis, carros, coisas, mas as pessoas, nossa família, e os amigos que temos; que são nossas experiências e lembranças com eles o que mais vai valer ao final de tudo. Por isso, cada ano que passa é uma nova página no diário da vida, provando que chegar a outro aniversário só é incomum por ser um privilégio, que nunca lembramos, a não ser quando parece distante...
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Quando sentir saudade, apenas me deseje o bem... Ore por mim, envolva-me em luz em seus pensamentos, pois não há paz melhor que essa... Sinta o perfume dessa carta e me saúde em um abraço em pensamento, pois verdadeiros afetos jamais se separam.”



P.S.: Só tenho mesmo isso das cartas que escrevi. Nunca tomei o cuidado de digitar nada que constava delas, exceto dessa vez.