Um minuto de silêncio para todas as histórias que nunca vão acontecer.
Hoje, por acaso, eu encontrei fotos suas. Sabe quando você, do nada, lembra de alguém de anos atrás? E daí coloca o nome no Google? Foi isso. Eu não tinha nenhuma expectativa, afinal, você sempre foi tão criterioso sobre redes sociais. Mas, pelo jeito, o tempo passou, de menino você se tornou um homem e talvez não tenha mais a liberdade tão cerceada. E, por que, afinal, eu resolvi escrever esse texto? É somente algo que eu preciso dizer a mim mesma. Sobre você, sobre a gente. A juventude faz com que nos enganemos tanto, FB. Um dia a gente chegou a pensar que éramos “almas gêmeas”... Hoje eu olho seu sorriso, seus olhos, e não sinto nada... Não posso negar que você se tornou um homem muito bonito. Mas tudo o que vejo na sua imagem é apenas um estranho. A rede social repleta dos seus passeios, esqui e seus carros caros mostra que aquele garoto de 16 anos que eu conheci ainda sobrevive em algum lugar. Só nisso, não é?
Não guardo mágoas de você. Tentei, mas não consegui. Estranhamente, é um dos poucos caras que eu não consigo guardar nada triste. Era você que me fazia estender madrugadas inteiras rindo e contando de tudo no msn. Depois do fim, alguma coisa muito bela restou. Como gostei de você...! Onde foi parar aquilo? Chegava a ser insano... Era insano como todo minuto era precioso demais pra nós... Como não queríamos perder nada... Às vezes, eu ainda lembro do seu aniversário, assim, no dia. Lembro das vezes que choramos juntos. E do seu apelido esquisito.
O que eu acho interessante é como aquelas pessoas que juramos amar simplesmente vão se esvanecendo em nossa mente, percebendo a gente ou não. É que não importa o que digam, amor exige presença. A constância de um abraço confortante; o bom dia que chega sem pedir; o silêncio como uma escolha consentida. E nós tivemos tanto disso oito ou nove anos atrás. Mesmo com a distância. Mas no momento em que decidimos romper, isso não sobreviveria. Hoje é tão óbvio... Mesmo a lembrança mais bonita exige cuidados. É como uma planta muito frágil. Tudo o que eu lembro são borrões. Ainda assim, não pude me furtar de lembrar que é semana que vem que se completam nove anos desde aquele dia – o primeiro, o fatídico. Pois é, FB, eu ainda lembro. Não que eu faça questão, assim, de lembrar. É que minha memória é boa.
Se a gente se encontrasse hoje, o que será que a gente conversaria? A gente conversaria? A começar pelas nossas posições políticas divergentes, acredito que não seria muito simples. Eu estou enganada, ou você se tornou tudo aquilo que negava? Toda aquela coisa do dinheiro, sabe... E aquele seu papo de que queria ser pobre um dia na vida? (porque ser pobre todo dia é foda, é, eu sei), pra onde foi aquele ideal? Nunca existiu, né. Como a casinha de madeira amarela, com barro vermelho na frente. Como tanta besteira que a gente conversava, embriagados, de madrugada; eu tremendo a tela do computador (o saudoso “chamar a atenção” no msn) e você ficando puto e assustado! Acho que não existia nem aquele tal amor que eu julgava existir, mas eu não lamento, pois foi um período venturoso em minha vida mesmo assim, e não seria justa se não reconhecesse. O mais irônico é que, alguma coisa em mim já me dizia que você iria estudar Direito. Pelo jeito também tem um pezinho na filosofia – quem sabe um dia a gente não se esbarra por aí?
De tudo o que eu imaginei, de todos os reencontros possíveis inventados, nunca esperava lembrar de você justo hoje, justo agora, e em retorno ver a sua imagem, que o tempo não apagou (bem, talvez um pouco). Anos se passaram e você se tornou um bonito homem, eu já te disse isso. As fotos mostram um rapaz de olhos bondosos que, se eu estiver certa, abriga um grande coração também – e talvez, dessa parte, eu sinta, sim, um pouco de saudade (mas não do tipo de saudade dolorosa. É aquela coisa bonita e indolor, quem sabe grata, de ter participado um momento da vida de outra pessoa). As fotos das suas namoradas, as da atual e a da ex, que você esqueceu de apagar (ai ai), são de mulheres exuberantes, modelos, o que é muito bem justificado pelo seu patrimônio. Mas eu desejo de coração que seja sincero e verdadeiro. Você merece ser muito feliz.
De todo modo, tudo o que eu queria dizer era isso. É mesmo engraçado saber notícias suas agora, assim, depois de tanto tempo. Pra quem jurava que nunca ia te esquecer, não ter sentido praticamente nada foi bem evoluído. Mas devo dizer, FB, que se pudesse te contar tudo o que aconteceu comigo nesse tempão que não falamos, ficaríamos umas boas madrugadas “tecendo”. Você sabia que fui no show do Elton John por sua causa? Isso nem é uma declaração de saudade – talvez mais a constatação de que hoje dificilmente nós falaríamos a mesma língua (ainda não parlo italiano...); a gente mudou, cresceu, nossos caminhos se destrançaram e, é provável, que se esbarrássemos numa rua em Veneza, passaríamos a mão no ombro rapidamente e pediríamos desculpas sem nem nos olhar direito. Como acontece diariamente nas grandes metrópoles, com os mais diversos transeuntes. Foste um transeunte em minha vida, e por um breve tempo, um muito importante. Quem diria...!

Saudações, FB.