Caro Ano de 2017,

É realmente muito cordial de minha parte lhe dirigir um adjetivo de estima. Soube por aí que você não foi só ruim a mim, mas também tirou o sossego de muita gente. Trezentos e poucos dias foram pouco, hem? Para tudo e mais um pouco que você andou aprontando. Na verdade, imagino que você bem teve um conluio com seu amiguinho 2016, e deu continuidade a algumas maldades que ele já havia iniciado, então. Eu, particularmente, tenho menos queixas de 2016, pois ele foi um ano de virada pra mim. Mas, você, 2017... Faça-me o favor! Veio com esse ar de bom moço, de que iria ser bom, resolver tudo... E atacou os sonhos de muita gente!
Para começar, já chegou em um domingo – aquele dia da semana que é sempre morno e sem graça. Para concluir, vai se despedir em outro, fazendo com que seu sucessor – meu caro 2018 – inicie seus trabalhos numa segunda, outro dia da semana não muito bem visto.
Na política e, por consequência, na economia, 2017, você se superou! Para a minha geração, que desconhecia a inflação e a perda do poder de compra, você apresentou a lição direitinho, nos dando doses salutares de aumentos de impostos, tirando empregos, tirando direitos, nos fazendo quase implorar para viver. Comer e andar de carro com você, 2017: minha deusa, que luxo! Definitivamente, eu não aprecio o seu senso de humor.
No que diz respeito às experiências de cada um, 2017, nessas você não teve, assim, influência direta... Mas eu soube que várias pessoas adentraram seu território muito realizadas emocionalmente, e agora estão devastadas. Claro que também houve o contrário, mas mesmo estas estão insatisfeitas com outras políticas de sua parte. É que os estragos de natureza geral que você trouxe são por demais imperiosos para serem ignorados a partir de uma simples felicidade pessoal.
Você poderia ter sido melhor no que tange a esclarecimentos políticos, 2017, trazendo luz para os desorientados, e um pouco de consolo àqueles que 2016 já havia judiado o suficiente. Porém, pelo contrário, fizeste questão de mostrar quem estava no comando e, eu não duvido nada, que talvez você já tenha até influenciado demasiadamente o já aguardado 2018 – que ingenuamente, saudamos investidos de alguma esperança. Todos sabem que com ele se avizinham decisões de grande monta, e talvez, você, 2017, já tenha traçado o que 2018 representará, e a gente nem desconfia disso. É por isso que emito até estas opiniões com muito cuidado porque, vai saber, se não ficaremos eternamente presos em você... Queiram os céus que eu esteja errada!
A respeito de educação, ciência, progresso, meu caro amigo, só trouxeste problemas. Será que estaria eu sendo leviana ao proclamá-lo como um dos mais revoltosos e problemáticos anos, em se tratando de engenharia social? Ajudaste muito monstro de armário a mostrar a cara, com a doce expressão das máscaras de teatro, que por mais assustadoras que sejam, sempre trazem aquele ar de fantasia. Não, 2017, não fostes um ser fantasioso: seus ataques e assombros foram bem reais, e que difícil é pensar que 2018 pode vir minado de algumas sementes que você plantou.
Para finalizar, não quero me despedir de você com ultrajes pessoais, porque as minhas não resoluções são por demais pequeninas diante do quadro maior. Me despeço com a segurança de que te dei o meu melhor e que, embora você tenha falhado comigo, não fizemos nenhuma promessa, nenhum pacto, desses que um outro ano qualquer não possa cumprir. Eu te saúdo como mais um ano na minha vida – não o maior, e não o melhor, 2017 – e nem singular; mas satisfeita, porque comigo você até pegou leve, enquanto fincou seus garfos pontudos no rabo de muita gente. Que seu amigo 2018 venha mais leve, mais corado, bem humorado, menos preciosista... Que seu amigo 2018 venha mais equilibrado, mais apropriado – ainda que eu duvide; oh, eu duvido! – porque assim como você carregou uns vícios e umas podridõezinhas de 2016, é bem certo que deixará alguns de seus ranços para o jovem 2018; resta ser otimista e torcer para não herdar o pedaço mais podre que tememos.
Em nome de tod@s @s ferrad@s por 2017. Adeus, caríssimo. Já vai tarde.

E um Feliz Ano Novo!