Tantos dias acordando acompanhada, vida na casa – então, se torna oca cada manhã nesse silêncio mortal. Ainda abro os olhos na expectativa do café conjunto, da programação do dia – de qualquer coisa comum e simples que me faça parar um pouco de conviver tanto comigo mesma. Eu, que passei o revéillon de branco, em busca de paz, começo a perceber, então, que tenho me escondido na minha muralha de racionalidade para evitar as dores e conflitos do sentir. Revesti-me de pedra e emparedei minha sensibilidade para não tocar intimamente no assunto de que tem coisas muito mal resolvidas dentro de mim.
Não sei, não sei o que em 2018 me aguarda, e uma resposta em breve pode definir meus planos. Cheguei naquela fase em que tudo o que (não) acontecer é bom, então só preciso que a vida escolha por mim para que eu possa, eu mesma, tomar parte no que me cabe das escolhas. Tem me feito triste passar tanto tempo isolada, sem vivências significativas com aqueles que amo; nunca estar presente quando de suas conquistas; não participar tanta coisa; acho que tem um limite para a pessoa humana viver sozinha, se passa muito disso é que nem leite: azeda, se estraga. Mesmo alguém como eu, antissocial e misantropa por natureza, precisa, às vezes, ir além do canto dos pássaros e do som da chuva como companhia.
Confesso que subi no mapa com alguns desejos que buscava aqui, mas hoje percebo que não importa onde estejamos, nossos sonhos, medos e esperanças nos arrastam. Logo, não faz mais tanta diferença o lugar, mas quem eu sou e aquilo que carrego dentro de mim – Floripa já me deu o que tinha que dar... Ainda não sei exatamente o meu lugar nesse céu, sol, sul, mas a intuição já começa a apontar onde não é. Agora, são necessários apenas alguns meses e algumas confirmações para o ponteiro girar...

Enquanto espero alguma coisa acontecer, ou deixar de acontecer, para me ajudar nas respostas, minha única bússola continua sendo essa melodiosa solidão. Já bradei ao universo que estou cansada disso, e a única condição é aprender a ser mais tolerante com o jeito de ser alheio, porque morando só e nos conhecendo tão bem, a gente se torna cheia de manias! Quero viver alguns velhos sonhos, sim. Mas talvez para isso não seja necessário cair tão longe do pé como eu vinha acreditando até então. O tempo está passando, meu sobrinho está crescendo e as cãs da minha velhinha estão ficando ligeiramente mais grisalhas. Se todo o meu combustível está sempre dentro de mim, talvez seja hora de buscar um ponto melhor no mapa, que me permita ter a tal de paz, e ao mesmo tempo, o amor chegado daqueles que me querem bem...