Rotinas. Bagunças. A demanda de atividades cresce à medida que a vontade de realizá-las parece diminuir. São potenciais entusiasmos roubados pelo calor. Por que haveras ter calhado ser uma criatura moldada pelo frio? Nascida em plena madrugada gelada, sem se importar com o choque térmico em seu corpo aquecido no interior do útero materno...! Agora, as sequelas daquele primeiro impacto são sempre sentidas, ao contrário, a cada verão. A sensibilidade das criaturas que vivem no gelo, a facilidade em hibernar e esquecer que existe vida lá fora, o desagradável vivido em cada gota de suor... Só quem nasceu para o frio entende...! O apego doce ao chocolate quente, a qualquer aconchego que lembre mais tenazmente a proteção do corpo e da alma nas manhãs e noites regeladas, e que afaste do aquecimento invasivo que furta a vitalidade em ter nascido num país tropical.  
Vai, verão, vai... Te permito. Leva logo tua folia colorida e praieira e traz de volta aquelas vestes outonais que tanto adoro. Isso, ou transporta-me a um local mais fresquinho, que não me esfole as horas a viver de banhos gelados! Só o ar natural serve nessas horas; condicionamentos artificiais não dão conta da minha ânsia de respirar novamente o clima frio.