Hazard - Richard Marx.
Às vezes, estamos tão marcados pelas nossas experiências do passado que não nos permitimos tentar outra vez. Ir em frente, ser feliz de novo. As coisas boas surgem, mas ficamos negaceando com o medo, com os “olhos preconceituosos dos outros”, que já acostumaram a nos ver de determinada forma e acabamos nos admoestando a corresponder. Essas coisas boas vêm e passam, porque o que assassina a Mary não é um estranho na madrugada, mas a nossa covardia, e é por isso que voltamos a ficar marcados depois. Se a liberdade parece já ter ido embora há muito tempo atrás, pode ser porque não nos permitimos mais longos passeios com Mary para ver o sol se pôr, e preferimos a isso nossa submissão conhecida – a submissão a um tipo de vida que um dia escolheram para nós, e sempre achamos que era a nossa própria escolha. A nossa criança traumatizada que vê tudo à sua volta pegando fogo acaba nunca nos deixando, e quando a Mary surge para levar tudo isso embora, a gente deixa que ela mesma vá embora, porque ainda está mergulhado demais no homem aqui de fora, e não no que ela viu, lá dentro.

Adoro essa música.