Um dia a gente percebe que...
Por muito tempo esteve falando sozinha.
Por muito tempo esteve mentindo a si mesma.
Por muito tempo criou subterfúgios que não preenchiam verdadeiramente.
Tenho sentido isso sobre os meus blogs. Foi um tempo bom o que passei escrevendo, me fez bem (afinal, eu não posso funcionar sem escrever). Mas, estou arrastando algo que não faz mais sentido. Decidi que não quero mais vestígios meus na web.

Pode ser que meus textos tenham trazido refrigério à alma de alguém. Alguns comentários positivos que recebi sempre me mostraram que minhas palavras auxiliavam, traziam paz, traduziam sentimentos e pensamentos que muites não sabiam lidar ou externar. Todavia, há um lado egoísta em mim que não deseja mais compartilhar minhas coisas – pensamentos e sensações, cores e dores – e acho que preciso atender a esse chamado. Ficar e estar quietinha. Vou sentir falta de escrever, é claro, mas ainda poderei fazer isso; apenas não vou trazer a público. Quem sabe isso me dê mais liberdade. Ou libertação. Quem sabe, não. Mas também não acho que minhas palavras façam toda essa diferença no mundo. Também não acho que importe tanto.

É um tempo de me manter calada. Não completamente... Grandes mudanças se anunciam. Estou encerrando um ciclo. As formigas estão por toda a parte aqui em casa. Toda semana tem louça quebrando. Andei passando por crises homéricas... Parece que a dor faz questão de vir à tona para ser curada. Mas é um processo só meu. Nem meus textos nem meus sorrisos podem mostrar o que se esconde por trás. E nem precisam mais. Decidi partir.

Partir... para um novo lugar, dentro e fora de mim.
Partir... a uma nova consciência, a uma nova experiência, a novas descobertas.
Mais que experimentar, experienciar...
Partir para longe – e já está doendo, mas é preciso.
Partir sem amarras, sem correntes, sem emoções.
Não quero lembrar de nada que um dia já me fez sorrir, ou já me fez chorar. É um tempo novo.
Eu apenas preciso ir. Seguir em frente. Explorar novos mapas. Me encontrar. Me perder.
Não vou voltar. Essa fase de escrever o que penso e compartilhar talvez tenha se encerrado. Não faz diferença. E mesmo que fizesse... Esse é o meu momento.

Estou partindo, e talvez já devesse ter ido.
Dia 3 de junho a licença desse domínio vence, e não tenho a intenção de renová-la. O blog sairá do ar em poucas horas.
Também pretendo excluir o blog antigo, “Para sempre ou Nunca”. São pedacinhos de mim que arranco com uma dor lancinante, mas que precisava... Será muito difícil algo me demover dessa ideia. Parto em busca de mim e sei que vou me encontrar.

Partir.
De quantos ‘para sempre’ a vida é feita?
De quantos ‘nunca mais’ ela é desfeita?
Ah, se soubéssemos...
Time it was and what a time it was it was
A time of innocence, a time of confidences
Long ago it must be, I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you