Eu realmente não sei falar sobre esse tema com palavras minhas. Por que eu não entendo de política? Devo ser modesta em afirmar que não sei tudo, mas acredito que sei usar a minha cabeça o suficiente para perceber o movimento histórico que vivemos. Então, a razão é não saber o que falar, como falar...

Todavia, quero reproduzir aqui duas opiniões que compartilho, e me chegaram hoje. A primeira, um texto de um estudante bolsista de pós graduação que se manifestou em um grupo do qual faço parte; e a segunda, um vídeo da pensadora brasileira Viviane Mosé.

E encerro lembrando que não podemos saber o que ainda nos espera... Mesmo quem se ilude que é favorecido.

"Em dois anos como bolsista Capes, eu nunca me pronunciei nesse grupo sobre nada, salvo em alguns comentários muito pontuais. Se hoje eu faço uso do meu direito à palavra, é porque acredito que é tempo de tomar posição sobre certas coisas - que dizem respeito inclusive sobre o que penso da ciência, e de sua relação com a sociedade que sustenta seu progresso.
Em nove anos de vida acadêmica, passei por três universidades públicas (UFSJ, UFF e UERJ, atualmente) e adquiri a noção de que a ciência não se resume ao verniz de erudição e nem à mera instrução profissional - ambas, características de uma educação elitista. A ciência é parte do desenvolvimento integral de uma sociedade - e isso inclui não apenas desenvolvimento econômico e tecnológico, mas também humano: promoção da igualdade social, ampliação de direitos e garantias individuais, etc. E isso a ciência faz, em geral, de duas formas (concomitantes entre si): no desenvolvimento de saberes que retornam para a sociedade e na consolidação da figura do pesquisador (sobretudo se esse ascende das classes baixas) como profissional valorizado. A pesquisa científica é política, no mais alto grau da palavra.
Dito isso:
1) Entendo esse grupo como um espaço de discussão política - ao contrário de alguns colegas. Ou isso, ou a pós-graduação é um luxo intelectual de uma elite ociosa;
2) A ingenuidade de um estudante de pós-graduação sobre a situação política de seu país é intolerável. 4 anos (ou mais!) de pós-graduação para reproduzir a narrativa midiática sobre um fato político, sem nenhum traço de crítica, é inaceitável! Há estudantes aqui na página que reduzem uma discussão grave e urgente a mero "papo de bar" (com todo respeito a esse espaço sagrado). Quem quiser acreditar nesse teatro jurídico, que acredite. Só não me venham com essa conversa de que "a lei é para todos", de que "agora é o Lula, depois é o Aécio" (como se o problema do Brasil se reduzisse a prisão de duas pessoas, ou de quem quer que seja!!). Isso é uma aberração num país bizarramente desigual (juridicamente, inclusive), um dos líderes de encarceramento no mundo e com um sistema de justiça feudal e corporativista. Ser de direita, ou "contra o PT" (seja lá que tipo de doença for essa) não te impede, nesse momento, de recear pela segurança do Estado democrático de direito nesse país (tome-se um reaça como o Reinaldo Azevedo como exemplo disso).
Desejo sinceramente que a consciência política dos pós-graduandos se apresente em algum momento. De resto, a quem é de luta, boa luta para nós nessa hora. A quem não é, que nos deem licença.
(E #pás é o caralho! São as vidas, nossas e das pessoas que sustentam isso aqui, que estão em jogo!)"

(Carlos Arthur R. Pereira)